terça-feira, 8 de outubro de 2013

Um brinde à minha dor

Olha que amor burro o meu, 
Que apesar de se rasgar de vontade, 
Já não consegue suportar a presença do seu. 
Será que todo amor é burro ou só o meu?

Não consigo nem olhar aquele par de olhos 
Que sempre me passaram tanta verdade. 
Fico me contorcendo, chorando a saudade 
De uma paixão que me arrepia de tanto medo. 

Perdeu-se o tempero, o calor, a coragem. 
Maldito amor covarde que perdeu a viagem e agora, 
Sentado na estação da vida, espera pelo próximo trem 
Que o leve mais longe ainda de onde deveria ir. 

Estaria melhor se começasse a rir da própria desgraça, 
Mas coração que se estilhaça demora a se refazer.
Maldito amor que amargurou meus versos sempre tão cheios de luz.
Maldita luz que se apagou antes que eu terminasse minha poesia.

Maldita a poesia que faço pra dar voz a esse louco coração,
Que ficou rouco ao ver os seus passos te afastarem de mim.
E foi assim que eu aceitei a maldição lançada aquele dia:
Daqui pra frente, seu sorriso virará melancolia,

Suas verdades serão inimigas da sua alforria.
Serás escravo de todas as boas lembranças
Enquanto as crianças te farão chorar copiosamente
Afugentando da mente os motivos da separação.

Somente quando aceitares sua própria impunidade
Lembrará que ainda pulsa no peito o coração.
Hoje, num hiato entre a dor e a esperança, 
Volta à face o rubor e a vontade.

E a criança da cidade brinca aos montes, 
Incansável, sem temer o amanhã.
Brinda à vida, às paisagens, à saúde da irmã 
E aos amores que ainda estão por vir.

Pois a vida do poeta promete 
E não finda por aqui.
Sabe claramente que cada tombo é um aprendizado
E que se fortalece quando sara o machucado.

Assim por dizer, 
Em resposta à pergunta: como vai?
A resposta, mais que óbvia: 
Muito bem, obrigado.

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