terça-feira, 15 de outubro de 2013

TB #1

Ele sentia-se como um rato de laboratório. Tinha a certeza de que estava sendo estudado, observado. Então não teve outra saída a não ser encarnar o personagem que a tanto tempo havia omitido. Ele mesmo.

Já nem se lembrava de como era. Não sabia quais eram seus medos, seus sonhos, sua missão. Sabia apenas que sua zona de conforto era muito confortável. Queria ganhar o mundo e queria que o mundo inteiro ganhasse por ele. Esquecido que era, fazia tanta coisa ao mesmo tempo que à noite nem se lembrava do que havia feito. Já tinha amado tantas coisas e de tantas formas diferentes que não se lembrou do que realmente gostava. Não sabia o que era realmente importante em sua vida. 

Como não tinha sonhos, saía às ruas perguntando pra pessoas aleatórias quais eram os seus. Se tivesse perguntado a seus pais, talvez tivesse uma vaga ideia. Mas ao invés disso recorreu aos amigos. E seus melhores amigos não diziam nada. Ele também não perguntava. Não por vergonha, mas porque entre eles não havia muito o que conversar. O silêncio dizia tudo. Maldito silêncio. Ou bendito. Nunca se sabe.

O problema de não saber os próprios sonhos, é que junto a isso não sabia o que era necessário para atingi-los. Dizem que dinheiro compra sonhos. E como não tinha sonhos, não precisava ter dinheiro também. O sonho dos outros era muito caro. O dele, não tinha preço. Então continuou, no mesmo lugar, com o mesmo sonho, que somente ele sabia, mas que não fazia ideia.

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