Como vai a sua empresa, essa espelunca que você chama de eu? Mostre-me o balancete, como estão as ações? Quero acesso irrestritos aos livros. Verei tudo, tintim por tintim.
Da última vez que abri seus jornais, fiquei horrorizada, tamanha era a falta de gestão. Praticamente todos os setores mais importantes estão em baixa. A única coisa que não caiu foi a sua competência de rir da própria desgraça.
O orçamento, abaixo do esperado, como sempre. A saúde da empresa vai de mal a pior. A visão dos acionistas, oscilante. O mercado está um caos. O capital de risco, cada vez mais ambicioso... Pelo menos a poupança está crescendo. E parece que a aquisição dessa marca de café vai dar bons frutos.
Dia desses perguntei a um funcionário do baixo escalão como era trabalhar na empresa. Ele disse que era um lugar divertido, mas que não fazia ideia do futuro da empresa. Engraçado. Fiz a mesma pergunta para os diretores e a resposta não foi tão diferente.
Mas o que me chamou mais a atenção foi o aparato na entrada da sede. Uma fonte de pedras com velas, incensos, uma flor e um altar. As mais diferentes imagens, das mais diversas religiões. A qual todos os funcionários reverenciam ao chegarem no serviço. Apesar dos fatores de risco, parece haver um consenso. Uma fé na prosperidade do negócio.
O clamor das ruas torce a favor. Os valores e a cultura organizacional estão em transição, assim como alguns membros da diretoria. Mas tudo não passa de burburinho de elevador. Oficialmente, nada ainda foi declarado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário