terça-feira, 22 de outubro de 2013

O que somos: todos nós

Eu sou
Estava escrito
Ao abrir o caderno
E me fez pensar

O quão insoluvelmente
Abstrato
É ser alguém
Alguma coisa de fato

Enquanto que, se capto
O instante porta-retrato
É porção maior de tempo
Que o falar que é

Eu sou na sua língua
Sai sempre atrasado
Melhor não dizer
E contentar-se em ser

Eu, malandro que sou
Não digo a que vim
Só o que ainda me ligo em dizer
É vou bem, e você, pra lá e pra cá

Vai saber quem sou
Eu que não sei de ninguém
Sei ainda menos sobre mim
Mas sigo contente, ainda assim

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