quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Aos versos que troquei com Mariana, tão formosa dama

Lembro-me ainda hoje, como se tivesse sido ontem, da primeira vez que me notou. Seus olhos claros, ora transparentes ora tão misteriosos, pareciam-me enxergar a alma, tão sem mistérios, tão transparente a esses mesmos olhos. Mal pontuei a poesia que acabara de ler e fui abruptamente interrompido por seus lindos e delicados lábios, a solicitar em desafio uma continuação. Tomado por uma miscigenação indescritível de sentimentos, continuei.

O frio na barriga e a voz trêmula pareciam em muito aumentar a dramaticidade do texto, mas o sorriso desconcertado e a timidez escancarada adicionavam um tempero inesperado, involuntário e descontraído à leitura. Ao final, ela se aproximou e sua voz rouca e suave novamente ronronou elogios doces, carregados de sinceridade e uma admiração recém adquirida.

Talvez tenham sidos os elogios mais sinceros que já recebi – independentemente se o foram ou não – pois não vinham de sua boca deliciosa, mas de seu penetrante olhar que me perfurava o peito, ainda que apontado para cima. Começamos a conversar e então foi sua vez de me acariciar ao pé do ouvido com versos que, não apenas me enfeitiçaram, como credenciaram os chamegos anteriormente respaldados apenas por sua beleza exótica e indiscutível.

E era, de fato, indiscutível a sua beleza: magra, alta, com um lindo sorriso e portadora de um corpo escultural, realçado por longos e cacheados cabelos negros – e não esqueçamos os incríveis olhos claros. Não somente os atributos físicos, era gentil, simpática, delicada, inteligente. Tinha os modos de uma dama e a sensualidade vulcânica de uma odalisca. Sejamos francos: era muito gostosa, em todos os sentidos que a sinestesia linguística permitir.

Não queria outra coisa naquele momento senão seu gosto em meus lábios, seu cheiro em meu travesseiro, seu corpo no meu, seus sons no meu ouvido e a simples visão do que parecia miragem. Em contrapartida, poderia oferecer-lhe meu corpo roçando contra o dela, meus gemidos de prazer e minha boca entre suas pernas. Seus olhos poderiam estar fechados e seu olfato perderia-se entre velas aromatizadas, incensos e suor.


Se há um Deus nesse mundo, fora Ele muito gentil com essa menina e um tanto desumano comigo, colocando em meu caminho pérolas e me fazendo porco. Por que, Deus, em toda a perfeição e complexidade de sua criação, inventaste a lésbica? Corrijo-me: se há um Deus nesse mundo, esse Deus é ela. Eu sou mero São Pedro.

Um comentário:

  1. Pepê, vc saiu do Fb... queria te mostrar um texto que eu fiz. Não tenho seu email :(

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