quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Poema do fundo do peito

Cá estou, peito aberto para novas cicatrizes.
Nem lembro o meu último arranhão.
Pode ter sido um infinito em pichação
Ou um romance vivido por personagens,
Enredado entre monstros e viagens
E encenado por atores e atrizes.

Pouco importa de onde partirá a bala.
Meu peito estufado já não fraqueja.
Por mais esperto ou tolo que seja,
Sabe ao certo que um novo ferimento
É sempre um estalo, um estar atento,
Ao que vem, incomoda e cala.

Então se dói, por que volta a se estufar?
Pode o peito despir o olhar semimorto
E calar o mais belo e cult verso torto?
Pode ainda empinar-se ao sentir medo,
Arrepiado dos pés ao cabelo?
E se erra? Morte? Corpo ao mar?

Ainda que sim, o peito não liga.
Venham tanques, aviões e escopetas!
Atirem! Acertem-me em meio às tetas!
A morte é a simples consequência do tentar
E não conseguir. É o dia seguinte do amar.
Sua maior viagem é estar acima da barriga.
Peito que é peito não liga.

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