Ai... e esse avião que não chega,
Trazendo a bordo outro avião.
Saio nas ruas e não há quem não perceba
Minha felicidade e aflição.
E apesar da minha experiência e idade
É impossível conter a inocência da minha ansiedade.
No aeroporto, de um lado pro outro, o passo torto
Incapaz de esconder meu nervosismo
Traz à tona o cinismo de um coração semimorto.
E na contramão eleva em si o heroísmo
De num abismo saltar inconsequente
À luz refletida do pássaro reluzente.
Que turbilhão de emoções que se desperta
Quando aterrisa no pátio a aeronave comercial
E sai radiante, a primeira, da porta aberta,
Minha companheira pra pular o carnaval
Mas sua pequena bagagem de mão
Não escondia que viera apenas para o verão.
O conto de fadas, então, dava lugar à realidade,
À mais pura verdade daquele ser,
Que teria vindo pra conhecer a cidade
E que não veria o nosso amor florescer
Volto à realidade e visto a minha cara de mau
Pois esse filme eu já vi, vivi e eu morro no final.
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