É incrível como as coisas são, né? A gente mal começa a escrever e já esqueceu a coisa toda que iria dizer. Será que é só comigo que essa coisa acontece? De repente já aconteceu contigo e você esqueceu.
Mas de que formas bizarras se transformam as ideias. Você esquece o que pensou, depois lembra de outra coisa que havia esquecido anteriormente. Aí você resolve se lembrar do que ia dizer. Mas por ter lembrado daquela coisa que você também havia esquecido, você acaba tendo uma percepção totalmente diferente da coisa toda. Sua ideia inicial já se transformou em várias outras pequenas ideias.
Aí vem aquela música na cabeça e você se transporta pra outra dimensão. É o auge da onda. A crista do cume. Cai uma chuva de pingos lisérgicos por trás do céu acinzentado. O cheiro muda com a dama da minha noite. Vem correndo com os pingos em slow motion. Me abraça, me beija, me roça, cheia de mimimi. Ronrona ao meu ouvido o desejo de se deitar. Quer ficar cansada, muito cansada e apagar.
Dá pra sentir o cheiro. O do início, o do fim, o do meio. Como dizem os budistas: sempre o caminho do meio. O solo de piano, entra a guitarra, tudo fica muito sombrio. Resolvo pular essa música. A outra é mais animada. Quando menos se espera, o texto fica pronto. Com calma, com cama e com o cheiro dela ainda no ar.
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